Aos jornais, Dilma admite dever de casa: corte de gastos e controle da inflação

07/11/2014 14h13m. Atualizado em 08/11/2014 08h51m

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Em destaque nos quatro principais jornais do país nesta sexta-feira (7), a entrevista da presidente Dilma Rousseff ganha relevância por algumas de suas declarações mais inesperadas.
Dilma finalmente admitiu o que, nas eleições, dizia não ser necessário: ter dever de casa para fazer, cortando gastos, olhando com lupa cada um deles. Todavia, a presidente Dilma disse discordar que praticou estelionato eleitoral. Ou seja, fazer o oposto daquilo que havia dito na campanha.
Ao ser indagada sobre detalhes do corte de gastos, ela apontou, por exemplo, fraudes no seguro desemprego e aposentadoria por morte. Dilma disse ser “lorota” que 39 ministérios aumentam o gasto. A presidente afirmou também que é preciso controlar a inflação, que ela dizia estar controlada.
Dilma voltou a falar do controle econômico da mídia e combater os monopólios e oligopólios, insinuando que pode ir pelo caminho da Lei de Meios da Argentina, que obrigou o grupo Clarin a vender parte das empresas.
No Brasil, a única empresa de comunicação que tem forte participação em todas as mídias é o grupo Globo. Dilma não citou a Argentina, mas a Inglaterra e os EUA. Mas ela rejeitou a intenção de controlar o conteúdo das matérias jornalísticas.
Dizendo que não é presidente do PT, a presidente também quis se afastar do documento do partido que faz ameaças à oposição. O texto petista diz que a oposição, encabeçada por Aécio Neves, além de representar o retrocesso neoliberal, incorreu nas piores práticas políticas: o machismo, o racismo, o preconceito, entre outras coisas.
A transcrição no jornal Valor Econômico termina com seguinte detalhe: perguntada sobre a “penosa” situação da indústria, que terminará o ano em recessão, ela não respondeu: “fica para a próxima”.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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