STF deve negar delação premiada a CPI porque parlamentares não sabem guardar segredo

07/11/2014 09h30m. Atualizado em 07/11/2014 11h04m

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Relator do mandado de segurança impetrado pela CPI da Petrobras, no qual os parlamentares pedem acesso ao conteúdo da delação premiada de ex-diretor da Petrobras, o ministro Luís Roberto Barroso deve negar o pedido. Barroso disse nesta quinta-feira (6) que instituições tem de saber respeitar sigilo.
“Precisamos viver um processo de amadurecimento institucional, que significa respeitar as regras. O que é sigiloso deve permanecer sigiloso pelo tempo que deve permanecer sigiloso. O vazamento do que é sigiloso é um evidente descumprimento da lei”, disse Barroso.
Divulgado na imprensa, o ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa citou, na delação premiada, diversos parlamentares como beneficiários do esquema de desvio de dinheiro público da estatal. Embora muitos especialistas considerem que a CPI tem poder de investigação, é discricionário do Supremo decidir se permite ou não que o grupo de parlamentares tenha acesso ao processo que pode envolver seus pares. A delação premiada pode virar instrumento de troca de tiros entre oposicionistas e governistas.
Na quarta-feira (5), os deputados e senadores que compõem a CPI foram ao gabinete de Barroso pressionar pelo acesso ao conteúdo da delação premiada feita pelo ex-diretor. Barroso disse aos parlamentares que está aguardando parecer do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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