Banco Central usa inflação para explicar alta de juros depois de eleição

06/11/2014 10h42m. Atualizado em 07/11/2014 21h17m

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O Banco Central divulgou nesta quinta-feira (6) a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O BC explicou que elevou os juros de 11% para 11,25% porque aumentaram os riscos de inflação desde a última reunião. No parágrafo 20 da ata, o Banco Central mostra que existem “outras ações de política macroeconômica que podem influenciar a trajetória” mas “cabe especificamente à política monetária” evitar que pressões de curto prazo virem pressões de horizonte longo.
Dessa forma, o BC tentou justificar algo difícil de explicar: o fato de a inflação ter subido e ele não ter elevado os juros durante o período eleitoral, mas três dias depois do fim do pleito.
Por isso procura-se na ata algo que justifique essa atitude. O Banco Central tem o argumento que a inflação chegou, no acumulado em 12 meses até setembro, ao nível de 6,77%. O número saiu após a última reunião. Elas acontecem a cada 45 dias. Mas que a inflação estava alta já se sabia antes. O problema é que as tais “outras ações” às quais a ata se refere não dependem do Banco Central: é o ajuste das contas públicas, que, como se sabe, estão cada vez mais no vermelho.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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