Aumenta número de miseráveis após uma década

05/11/2014 18h20m. Atualizado em 10/12/2014 23h45m

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O número de brasileiros em condição de extrema pobreza subiu em 2013 pela primeira vez em dez anos, de acordo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).
Os dados estão expostos no banco de dados do IPEA e foram tornados públicos nesta quarta-feira (5). Mas o que significa isso? Primeiro, a linha que o governo usa para definir extremamente pobre é quem tem renda de R$ 70 por mês per capita. Uma família de quatro pessoas que tem uma renda familiar de R$ 280 está nesta lista. Se a renda for de R$ 300, 350, a família não é mais miserável, mas está na categoria dos pobres. Isso dá uma ideia de que essas linhas são meio artificiais. Mas o importante significado é a data do anúncio. Ela não foi dada antes para não prejudicar a campanha eleitoral.
Os miseráveis no Brasil cresceram de 10,08 milhões, em 2012, para 10,45 milhões no ano passado. A última vez que esse movimento de crescimento havia acontecido foi em 2003.
Após uma década de queda da miséria, o PT amarga um resultado que vai contra uma de suas principais bandeiras como governo: o combate a pobreza através de programas sociais.
Durante as eleições, o jornalista Gerson Camarotti noticiou em seu blog que o Ipea decidiu segurar os dados sobre pobreza e desigualdade até o fim do período eleitoral.
De acordo com o Ipea, o cálculo para analisar a queda ou o aumento da miséria tem como base as necessidades calóricas de uma pessoa com renda insuficiente para consumir os alimentos necessários. Em outras palavras: que passa fome.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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