Presidência da Câmara: Eduardo Cunha faz almoço e Michel Temer faz jantar para PMDB

04/11/2014 10h14m. Atualizado em 05/11/2014 00h27m

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Em plena campanha para a presidência da Câmara dos Deputados, o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, quer reunir o maior número de deputados em torno da sua candidatura. Além de deputados do próprio partido, Eduardo Cunha convidou PR, PTB, PSC e Solidariedade para um almoço nesta terça-feira (4). Ele quer formar uma grande frente para combater o PT na disputa pela presidência da Casa.
Já o PT, em reunião da Executiva Nacional, nesta segunda-feira (3), cogitou até a possibilidade de apoiar um nome de outro partido para o cargo, desde que reúna forças políticas capazes de vencer o líder do PMDB, que faz mais papel de oposição do que de governo no Legislativo. Semana que vem, o PT deve começar para valer as negociações para a disputa da presidência da Câmara.
O vice-presidente da República, Michel Temer, vai reunir o partido em um jantar nesta terça-feira (4) no Palácio do Jaburu. Temer tem a missão de conter e enquadrar Eduardo Cunha como líder de um partido da base do governo. O vice-presidente defende a manutenção do acordo PT-PMDB para um rodízio na presidência da Casa. O próximo mandato seria do PT, já que atualmente a Câmara é presidida por Henrique Alves (PMDB-RN).
A disputa para a presidência da Câmara pode ainda vir a contar com uma terceira via. O deputado do PSB Julio Delgado busca apoio do PSDB para competir pela cadeira.
CLIENTELISTA
A candidatura de Cunha, que também pertence ao centrão clientelista do PMDB, mostra bem como o partido está rachado e não apenas na bancada que termina no final deste ano, mas também na futura. O PMDB perdeu cadeiras, mas não perdeu a dissidência. Ao contrário, esta se fortaleceu.
Michel Temer, que retomará a presidência do partido para tentar controlar suas bancadas, nunca teve controle total do partido. O último que conseguiu esse controle hegemônico foi Ulysses Guimarães, em outro contexto histórico e político.
Michel Temer dificilmente conseguirá enquadrar Cunha. No máximo, pode obter um acordo precário de entendimento, que custará caro ao governo federal.
A presidente Dilma Rousseff também terá dificuldades para conseguir uma base alinhada e fiel no segundo mandato. É bom lembrar que a presidente já teve muitas dificuldades com a base no primeiro mandato.
Na Legislatura que se encerra, a presidente ainda tem matérias importantes para votar, inclusive algumas urgentes, como a nova meta fiscal para 2014. Se forçar muito a mão na disputa para a presidência da Câmara no biênio 2015-2016, pode começar a ter mais derrotas antes da velha Legislatura encerrar seus trabalhos.
OPOSIÇÃO
A oposição também ficou mais robusta. Será preciso muita capacidade de liderança e negociação para enfrentar os vários desafios à autoridade do governo e os impasses nas votações na nova legislatura.
E tudo ficará pior se o quadro econômico continuar deteriorando e a popularidade de Dilma Rousseff voltar a cair.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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