Bastidores: Entenda porque Sarney votou em Aécio

30/10/2014 09h59m. Atualizado em 02/11/2014 11h10m

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As imagens da TV Amapá são nítidas: Sarney votou em Aécio Neves no segundo turno. A assessoria do senador José Sarney negou veementemente o feito, claro. Mas quem acompanha os bastidores das idas e vindas da relação de Sarney com a presidente da República, Dilma Rousseff, garante que Sarney tinha mais motivos para a escolher Aécio do que Dilma nas urnas.
Sarney nunca engoliu o fato de Dilma Rousseff ter escolhido seu principal adversário no Maranhão para presidir a Embratur no início do primeiro mandato. A indicação pareceu uma estratégia do governo federal para dar sustância ao projeto de Flávio Dino de se tornar o governador do Maranhão com a bandeira anti-Sarney, o que acabou acontecendo.
A nomeação por Dilma do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que tem o irmão de Dino como um dos seus principais assessores, também contribuiu para garantir as bases da candidatura de Dino.
Dilma seguiu adiante e alçou Aloizio Mercadante como seu interlocutor dileto. Sarney e Mercadante não se toleram. No auge da crise do Senado em 2009, Mercadante protagonizou uma das cenas mais pitorescas de sua carreira política: anunciou como “irrevogável” a renúncia da liderança do então governo Lula por conta do apoio do PT a Sarney no Senado, mas depois recuou. Sarney nunca perdoou Mercadante pela encenação.
Mas a relação entre Dilma e Sarney azedou de vez, em junho deste ano, quando Dilma convidou Sarney para acompanhá-la a um evento em Macapá (AP) para a entrega de casas do programa Minha Casa, Minha Vida. Ao chegar no palanque, a dupla foi recebida com um coro da militância do governador Camilo Capiberibe (PSB), adversário local de Sarney, que aplaudiu Dilma e vaiou Sarney.
O evento enterrou as possibilidades do lançamento da candidatura de Sarney ao Senado pelo Amapá. Dilma Rousseff queria lançar Dorinha do PT para a vaga de Sarney no Senado, e assim o fez, que perdeu nas urnas para o candidato do DEM, Davi Alcolumbre.
Por outro lado, Sarney tem uma relação afetiva de avô e neto com Aécio Neves. Após a morte trágica de Tancredo Neves em 1985, o jovem Aécio passou a respeitá-lo e tratá-lo como familiar.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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