Justiça italiana nega extradição e Pizzolato é solto

28/10/2014 16h52m. Atualizado em 29/10/2014 08h00m

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A Justiça italiana negou nesta terça-feira (27) a extradição do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, foragido desde novembro de 2013 após ser condenado no processo do mensalão.
Com a decisão, Pizzolato foi solto, na Itália. O governo brasileiro irá recorrer, mas o Ministério Público Federal não comentará a derrota na corte italiana.
Pizzolato foi condenado a mais de 12 anos de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato (desvio de recursos públicos) no Supremo Tribunal Federal (STF).
A extradição começou a ser julgada em junho deste ano. Todavia, a justiça italiana concedeu pedido da defesa para Pizzolato ter acesso aos documentos apresentados pelo Ministério público Federal brasileiro. A decisão paralisou o julgamento.
O autor do blog fez a última entrevista concedida por Pizzolato antes dele fugir do Brasil.
Nela, em outubro de 2012, o foragido da justiça brasileira chegou em Copacabana, no Rio de Janeiro, bem mais magro, sem barba, de boné, tentando não ser reconhecido na rua. Estava acompanha da mulher, Andrea Haas. Pizzolato disse, naquela ocasião, que se sentia “amaldiçoado”.
O ex-diretor do Banco do Brasil defendeu que as acusações apontadas pelo Ministério Público Federal eram “fantasiosas” e poderiam ser facilmente contestadas. Mesmo diante da unanimidade da mais alta corte do país na sua condenação, o ex-diretor do Banco do Brasil costumava a defender a pessoas próximas, de forma veemente, sua condenação. “Imagina alguém que está indo para a guilhotina, fogueira da inquisição injustamente”, disse Pizzolato na entrevista.
Meses depois, o ex-diretor do Banco do Brasil fugiu, foi capturado em Maranello, na Itália e nunca mais deu declarações à imprensa.
Pizzolato foi acusado de autorizar pagamentos de publicidade antecipados do Fundo Visanet no valor de R$ 73,8 milhões. De acordo com o STF, esses recursos alimentaram o mensalão.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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