Reeleita, Dilma terá de enfrentar país dividido, base magoada e inflação alta

26/10/2014 23h21m. Atualizado em 27/10/2014 23h36m

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Metade da população vestiu a camisa da oposição e a reeleição da presidente Dilma Rousseff foi conquistada com a menor diferença na história recente. A realidade é um país dividido, o que pode favorecer o confronto de ideias.
Não há risco iminente de hegemonia do PT, que ficou menor tanto em bancada parlamentar, quanto em governos estaduais. Pela primeira vez o Brasil terá uma oposição não-petista robusta, com liderança forte no Senado: Aécio Neves, José Serra, Anastasia, Aloysio Nunes, Álvaro Dias e Tasso Jereissati.
Se obriga ao debate, o racha do país produz seu lado negativo: governança muito mais instável, em um momento em que enfrentaremos grave crise econômica e o escândalo da Petrobras, que deve explodir com mais denúncias, prisões e, por fim, julgamentos.
Manter a governabilidade será um desafio para Dilma, que precisa pacificar suas bases, principalmente o PMDB, com lideranças importantes como Henrique Alves, Eduardo Braga e Eunício Oliveira, que sofreram duras derrotas em seus estados e podem cobrar do governo um pedágio muito mais alto do que ele terá condições de pagar. É na base fisiológica que o partido costuma negociar.
A presidente Dilma Roussef terá de controlar a inflação para evitar que a popularidade despenque e driblar o mau humor do mercado.
Dilma ainda terá o desafio de lançar pontes à oposição, para tentar garantir o mínimo de segurança parlamentar. Neste caso, da mesma forma que Minas Gerais foi o pivô da derrota de Aécio, pode ser o pivô de uma trégua com a oposição, porque o Fernando Pimentel é próximo da Dilma e do Aécio. Terceira colocada, Marina Silva também terá um papel importante na articulação da oposição.
Além da oposicão renovada no Senado, Dilma Rousseff poderá enfrentar também na Câmara uma oposição mais robusta, composta de partidos de centro esquerda, como PSB, PPS e parte do PSDB, ao lado da Rede, que ainda surgirá.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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