Qual o quadro político e econômico possível a partir de segunda?

26/10/2014 09h31m. Atualizado em 27/10/2014 23h36m

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Na hipótese de vitória de Dilma Rousseff, os fatos importantes que impactarão imediatamente a vida dos brasileiros serão o escândalo da Petrobras, a situação econômica ruim e tensa — com um mercado mal humorado — e a divisão do país como resultado da campanha.
O escândalo da Petrobras deverá ter desdobramentos impactantes. Prisões importantes poderão acontecer. Novas delações deverão dar ao escândalo fôlego com consequências imprevisíveis.
É razoável supor que Dilma escolha fazer uma limpeza ética para tentar melhorar a imagem do seu governo. Neste caso, a temperatura subirá mais rápido. Qualquer que seja o resultado da eleição, Dilma tem a ganhar se voltar a usar o modelo que a fez colher tantos elogios no começo do mandato, quando demitiu vários ministros. À época, a presidente era aquela que fazia “a faxina”.
Por limpeza ética entenda-se: apoiar as investigações e prisões, fazer demissões e mudanças administrativas e pronunciamentos mais claros de condenação aos fatos na Petrobras. Em outras palavras: ela tem que se mostrar “estarrecida” com os crimes e não apenas com sua divulgação.
Mas esta opção pode ser politicamente difícil, já que os principais alvos das dúvidas que surgem dos depoimentos de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef são os partidos que estão no centro da base de sustentação parlamentar.
O governo Dilma cometeu erros que precisará corrigir na economia e, para melhorar a aceitação em outros setores da sociedade brasileira, poderá trazer para o seu governo nomes que diminuam as desconfianças do mercado e empresas. O enfrentamento da crise econômica pode fazê-la perder apoio entre seus próprios eleitores.
Em caso de vitória de Aécio Neves, a partir de segunda-feira (27) se verá um mercado animado e aumento da confiança dos investidores. O problema é que existe uma pedreira a atravessar para corrigir a situação econômica de alta inflação e baixo crescimento.
A vitória do Aécio pode até dar um alívio aos envolvidos no escândalo da Petrobras por tirá-los do foco principal dos eventos. Isto não significa que o escândalo deixará de ser investigado. O tema continuará na pauta porque Policia Federal, Ministério Público e Judiciário continuarão fazendo seu trabalho. Esse escândalo tem matéria prima para muitos desdobramentos na área política e corporativa.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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