Youssef passa mal após almoço, é internado, mas PF nega envenenamento

26/10/2014 04h48m. Atualizado em 27/10/2014 23h37m

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Pivô de um dos debates políticos mais acalorados às vésperas da eleição presidencial de 2014, o doleiro Alberto Youssef passou mal enquanto almoçava, neste sábado (25).
Preso desde março, o doleiro Yousseff foi escoltado por policiais federais por volta das 14h para o hospital Santa Cruz em Curitiba (PR). Usuários das redes sociais passaram a levantar a hipótese de envenenamento do doleiro, desmentida pela Polícia Federal em nota oficial.
O mal súbito de Youssef ocorreu em meio à polêmica envolvendo a capa da revista Veja, na qual está estampada uma acusação que teria sido feita por ele contra a presidente da República Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a revista Veja, Yousseff teria afirmado, em delação premiada, que Lula e Dilma sabiam do esquema de pagamento de propina com dinheiro da Petrobras.

Veja
A revista Veja publicou um diálogo entre o doleiro Alberto Youssef e um delegado da Polícia Federal:
Youssef: “O Planalto sabia de tudo!”
Delegado: “Quem do Planalto?”
Youssef: “Lula e Dilma”

Leia trecho da reportagem publicada na revista Veja:

“Entre as muitas outras histórias consideradas convincentes pelos investigadores e que ajudam a determinar a alta posição do doleiro no esquema — e, consequentemente, sua relevância para a investigação —, estão lembranças de discussões telefônicas entre Lula e o ex-deputado José Janene, à época líder do PP, sobre a nomeação de operadores do partido para cargos estratégicos do governo. Youssef relatou um episódio ocorrido, segundo ele, no fim do governo Lula. De acordo com o doleiro, ele foi convocado pelo então presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, para acalmar uma empresa de publicidade que ameaçava explodir o esquema de corrupção na estatal. A empresa queixava-se de que, depois de pagar de forma antecipada a propina aos políticos, tivera seu contrato rescindido. Homem da confiança de Lula, Gabrielli, segundo o doleiro, determinou a Youssef que captasse 1 milhão de reais entre as empreiteiras que participavam do petrolão a fim de comprar o silêncio da empresa de publicidade. E assim foi feito.
Gabrielli poderia ter realizado toda essa manobra sem que Lula soubesse? O fato de ter ocorrido no governo Dilma é uma prova de que ela estava conivente com as lambanças da turma da estatal? Obviamente, não se pode condenar Lula e Dilma com base apenas nessa narrativa. Não é disso que se trata. Youssef simplesmente convenceu os investigadores de que tem condições de obter provas do que afirmou a respeito de a operação não poder ter existido sem o conhecimento de Lula e Dilma — seja pelos valores envolvidos, seja pelo contato constante de Paulo Roberto Costa com ambos, seja pelas operações de câmbio que fazia em favor de aliados do PT e de tesoureiros do partido, seja, principalmente, pelo fato de que altos cargos da Petrobras envolvidos no esquema mudavam de dono a partir de ordens do Planalto.”

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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