Dilma sugere curso do Pronatec para economista

25/10/2014 12h01m. Atualizado em 26/10/2014 18h35m

CompartilheShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on FacebookShare on RedditShare on VK

A candidata à presidência da República, Dilma Rousseff, recomendou à eleitora indecisa, Elisabete Maria Costa Timbó, economista de 55 anos, cursar o Pronatec para garantir seu reposicionamento no mercado de trabalho, durante o debate na Rede Globo, nesta sexta-feira (24). Os principais públicos do Pronatec são estudantes do ensino médio e beneficiários de programas de transferência de renda do governo federal.

Em 2014, Elisabete Maria Costa Timbó conseguiu ficar entre os 50 primeiros colocados na selação para gerente de núcleo de negócios no concurso da Federação das Indústrias do Estado do Ceará, mas não conseguiu a única vaga oferecida.

A presidente da República não apresentou soluções viáveis para uma característica cada vez mais evidente na atual sociedade brasileira: o aumento da vida produtiva do brasileiro e a preferência do mercado ao público jovem.

A atualização profissional é, sem dúvida, a melhor garantia para um profissional qualificado e experiente manter-se competitivo no mercado de trabalho. No caso da economista Elisabe Maria Costa Timbó, a presidente da República Dilma Rousseff poderia ter apresentado políticas públicas para estimular a especialização pós-universitária, ou de incentivos para que empresas mantenham profissionais mais experientes em seus quadros, mas perdeu a oportunidade de introduzir o debate.

Elisabete Maria Costa Timbó foi uma das eleitoras indecisas indicadas pelo Ibope que teve a oportunidade de fazer perguntas aos candidatos Dilma Rousseff e Aécio Neves durante o debate da Rede Globo.

Veja a íntegra da pergunta e as respostas dos candidatos

Meu nome é Elisabete Maria Costa Timbó, tenho 55 anos e sou economista. Sou uma pessoa qualificada profissionalmente. Mas pelo fato de estar com 55 anos, atualmente me encontro fora do mercado de trabalho formal. Qual a sua proposta para que pessoas maduras tenham sua experiência de trabalho valorizada e possam manter sua empregabilidade.

AÉCIO NEVES: Elisabete, você toca numa questão essencial em relação ao Brasil que nós queremos construir, o Brasil do futuro. E os meus olhos, a minha energia está toda focada nesse Brasil do futuro. O que que ia acontecer no Congresso de hoje? Nós paramos de crescer, nós estamos na lanterna de crescimento na nossa região, angariando às vezes revezando com a Venezuela e com a Argentina. Países que não crescem, minha gente, não geram empregos, principalmente os empregos mais qualificados. Nós estamos vendo o desmonte da indústria nacional. Ao longo desses últimos anos, nesses últimos quatro anos, mais de um milhão de empregos na indústria deixaram de existir. E esses são os empregos que pagam melhor, para pessoas mais qualificadas como você. Aqui apenas em São Paulo a indústria está demitindo cem pessoas por dia. Essa é a minha grande preocupação, fazer o país voltar a crescer, porque aí sim haverá mais espaço no mercado de trabalho para pessoas qualificadas e também para todas as pessoas, porque nós temos que tratar da qualificação de todos. A grande verdade é que o governo atual perdeu a capacidade de recuperar o crescimento, porque não gera confiança nos investidores. Sejam eles nacionais, sejam eles internacionais. A Fundação Getúlio Vargas, que você certamente conhece, nos últimos sete meses vem mostrando ao Brasil que a confiança dos empresários de todos os setores vem diminuindo mês a mês. Por isso o Brasil precisa de um governo novo, com gente nova e com credibilidade. Certamente aí o espaço no mercado de trabalho vai ser ampliado, pessoas qualificadas vão ter mais oportunidades.

DILMA ROUSSEFF: Muito boa a sua pergunta. Eu não acho que o Brasil não está gerando emprego. O que eu acho, Elisabete, é que seria interessante que você olhasse, entre os vários cursos que têm sido oferecidos, inclusive pelo Senai, são cursos para pessoas que têm a possibilidade de conseguir um salário e um emprego melhor se você não acha colocação. Porque eles têm uma carência imensa de trabalho qualificado no Brasil. Não é o que o candidato está dizendo. Nós temos hoje uma taxa de desemprego de 4,9%, ele queira ou não. E uma coisa é certa. Se não se puser uma qualificação profissional, o que que não se consegue fazer, você não consegue fechar aquela demanda por trabalho, por mão-de-obra qualificada, com a oferta. Então, o que que é o Pronatec. O Pronatec é para garantir que você tenha um emprego adequado a sua situação.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.